sexta-feira, 22 de abril de 2011
Quem sou eu?
Quem sou eu? Não queiram saber quem sou eu, afinal, nem tenho tanta importância assim, em vez de lhes contar quem sou, com toda a minha desimportância, prefiro e com muito orgulho lhes dizer quem é Juliana.
Deus, com toda sua infinita misericórdia me presenteou com verdadeiras dádivas, a primeira foi minha filha Raphaella. Uma dessas pessoas cuja sabedoria foi e ainda vem sendo captada do mundo com sua incrível percepção silenciosa, conseguindo assim aprender observando e ouvindo, e em seguida Deus me deu Varley, meu filho querido. Varley ou Varlinho para os amigos, é uma dessas pessoas que encantam por um incrível jeito carinhoso, amigo e verdadeiro de ser. Apesar de seus vinte e poucos anos, ele cativa com uma pureza incomum aos adultos. Agora, quero lhes falar de Juliana, a terceira dádiva de Deus em minha vida.
Juliana é um ser pequenino, coisinha pouca, mirradinha, recém-nascida, uma verdadeira estrelinha que como se fosse do nada, apareceu brilhando no céu da minha vida, das nossas vidas. E veio com um brilho ingenuamente puro, imensuravelmente belo, infinitamente cativante, que inundou a todos, como se fosse um sol de uma bela manhã, enchendo de luz, calor e gritando para quem puder ouvir, sobre o milagre da vida.
Quase que perdidinha em um berço enorme, agasalhada em roupinhas que expõem seu pouco tamanho, ela dorme com uma fisionomia de anjo, mãozinhas enluvadas, minúsculas orelinhas recém furadas para que um par de miúdos brincos tentem o impossível, torná-la ainda mais bela do que é (coisas de mulher). De quando em quando ela acorda, sempre esfomeada, suga com vontade o seio da sua mãe, para logo em seguida voltar a dormir no berço enorme.
A imensa perfeição desse serzinho, amoleceu tanto meu coração, que tenho a sensação que renasci com ela. Ontem, tomei-lhe aos braços, e senti como é leve a felicidade.
Dia desses meu querido filho, casado, voou, foi com sua esposa constituir um lar, coisa tão natural para todo casal. Naquele dia senti como é difícil ser pai e desde então, me tem pesado tanto a paternidade. É uma tal saudade que dói, como uma faca fincada no peito, dor que aumenta mais e mais quando pego sua mãe, minha querida Iracema em prantos, sentindo a mesma dor.
Como se fosse possível fugir dessa maldita dor, agente anda inconscientemente buscando se focar no brilho intenso da pequenina Juliana e na maior parte do tempo, entre um sorriso dela, uma mamada, um banho, uma troca de fraldas a dor até parece diminuir, para logo em seguida voltar com força, então, a saudade mina por nossos olhos.
É estranho e egoísta esse nosso sentir, afinal, fizemos o mesmo com nossos pais. Eles também sentiram essa mesma dor quando eu e Iracema resolvemos também ter nosso lar. Mas como convencer aos nossos corações de mãe e pai que nosso filho amado só fez mudar de endereço e estar logo ali, bem ao alcance de uma ligação e da internet?
Bom, o fato é que de quando em quando, agente se pega, com os olhos minados e uma enorme faca fincada no peito.
É, é muito difícil mesmo ser pai e mãe!
Por falar em saudade, deixem eu voltar para a Juliana.
Amigos e familiares dizem a todo instante que estou babando ao admirar toda aquela bela, pura e indefesa criaturinha.
Bobos! Claro que estou babando! Quem não babaria ante um ser tão belo e puro?
Posso estar parecendo piegas, cheio de clichês ultrapassados, falando coisas que só um verdadeiro bobão falaria ao admirar sem medidas alguém, como fazem os idolatras com seus fanatismos e os fãs sem senso crítico. Se alguém assim pensa, é porque nunca viveu o que estou vivendo ante essa criaturinha, que com toda sua pequeninice está encantando a todos.
Hoje, meus olhos vazaram bem mais do que vinham vazando, é que um terrível pensamento se abateu sobre mim. E como um vento forte que tudo arrasa, pensei no dia que Raphaella e seu marido forem também constituírem um lar, levando consigo minha pequenina Juliana, desde então estou arrasado, até parece que a faca fincada em meu peito foi sendo movida pela força desse vento ruim, e me rasgou por dentro.
...
Eu sei que corremos esse risco, e por isso decidi dedicar meus dias a curtir minha filha e nossa pequenina Juliana. Por isso não vejo a hora de sentar no chão para brincar com ela de bonecas, de escolinha, passear, levá-la e buscá-la do colégio e curtir ao máximo sua meninice como fiz com Raphaella e com Varlinho.
Queira Deus que eu viva o suficiente para vê-la crescer e que Deus me permita moldá-la e ensiná-la a ser uma pessoa de bem e cheia de virtudes como são sua mãe e seu tio.
Sabe, pensando bem eu tenho sim muita importância, afinal, eu sou pai da Raphaella, do Varlinho e avô da Juliana. A presença desse três seres de luz na minha vida me dizem que sou importante, afinal, porque Deus me daria essas três dádivas se eu não tivesse alguma importância nessa vida?
Varley Farias
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário