quarta-feira, 4 de maio de 2011
Te amo minha neta!
Minhas contradições, meus sufocantes estados depressivos, minhas raivas sem sentido do mundo, até parecem que deixaram de existir. Hoje vivo uma paz incomum, algo maravilhosamente novo mora em mim, algo inusitado e profundo como a força de um amor imenso, intenso e verdadeiro. Esse amor novo, essa chama imensurável que me move, que me domina, que me induz a sorrir, que me impele a viver, que grita para mim uma felicidade nova é de uma força radiante e se chama Juliana.
Posso sem medo de errar, dizer que Juliana é um anjo enviado por Deus para apaziguar minha alma, e veio trazendo a paz naquele seu sorrisinho ligeiro e cativante, naquele corpinho miúdo e indefeso, naquelas rápidas olhadelas lutando contra o sono e contra a claridade perturbadora desse mundo. Com mãozinhas pequeninas, inquietas e suaves, ela afaga meu coração como se o único propósito de existirem fossem esse. Finíssimos cabelinhos enfeitam sua cabecinha que parece ter sido esculpida por um mestre da arte e onde estão um lindo narizinho, olhos de um brilho incomum, uma par de bochechas rosadinhas e uma boquinha milimetricamente perfeita.
Esse anjo de perfeição, veste roupinhas bem maiores que seu pouco tamanho. Agasalhada como se fosse de brinquedo, aquela bonequinha dorme sob os olhares protetores e amáveis de todos os incansáveis admiradores daquela que é uma benção de Deus.
Entre alguns resmungos infantis, alguns soluços e pouquíssimos instantes de pranto, a pequenina luz, irradia paz e amor daquele berço imenso para o exterior do seu quartinho pintado com esmero, para logo em seguida despertar desejando saciar no seio de sua mãe dedicada mais e mais vida.
É, esse serzinho de luz me mudou por dentro, como se fora um furacão de bondade, de felicidade e paz. Quebrou meus muros, destruiu a redoma que ergui para fugir do mundo e das pessoas, me humanizou, me inundou de uma vontade imensa de viver, para vê-la crescer e ser feliz, para participar e me tornar importante para ela.
Outro dia um amigo perguntou-me: Como é ser avô?
Eu disse-lhe sem pestanejar que não sabia ainda, só posso lhe dizer que a denominação avô, é tão pequena quanto sua própria grafia para definir o sentimento avô.
Aceito com orgulho que aquele ser pequenino, com toda a sua pequeninice, com toda sua candura, com todo seu indefesso jeitinho tenha trazido para mim uma denominação nova, além de pai, agora, avô. Mas ela não trouxe-me apenas isso, ela trouxe-me sim a felicidade, a verdadeira felicidade.
Por qual caminho o destino guiará nossos dias eu não sei, só sei que seja qual for, quero mais do que tudo de agora em diante, estar sempre do lado daquela pequenina criatura, para amá-la com toda a força que meu coração de pai-avô puder e lutarei todas as batalhas para que ela tenha todo o direito a vida, a paz e a felicidade.
Te amo Juliana, te amo mais que amo a mim mesmo. Te amo não por te amar apenas, como se não me restasse mas nada a fazer na vida, te amo por gratidão, te amo por felicidade, te amo não por ter me trazido apenas uma denominação nova, avô! Te amo por ter me presenteado com o sentimento avô.
Deixa Juliana, deixa eu sentar no chão com você para brincar de casinha, deixa eu te levar e te pegar na escola, não posso ser os remédios que te curarão das doenças da infância, mas com certeza serei o que estará pedindo a Deus mais alto por tua cura rápida, e em tua festa de quinze anos, eu, já bem velhinho, te olharei com orgulho e lembrarei cada instante de tua infância nos meus braços e em teus abraços estarão com certeza os melhores momentos de minha vida.
Te amo pequenina Juliana!
Te amo!
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