domingo, 25 de fevereiro de 2007

“Como navalha”



Me puxe os cabelos
E os pelos
E não dê ouvidos
Aos meus apelos

Me ame sem desvelo
Sem cuidados
Sem medos
Não sou de cristal

Arranhe-me a pela nua
Branca e crua
Onde todo a luxuria Insinua

Onde todo bem
É também mal

Coma-me sem cerimônia
Te comerei sem parcimônia
Com toda a fome
Que é nosso natural

Devora-me noite adentro
Deixa-me estar no centro
Do teu cio animal

E quando os nossos desejos lascivos
Estiverem saciados
E nossos corpos exaustos de se dar
Ante o gozo merecido

Joguemos nossos corpos exauridos
Sobre o campo de batalha
Antes que o dia corte nosso sonho
Como navalha
E nos torne dois desconhecidos

© Varley

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