sábado, 3 de julho de 2010

Consolando o coração



Nosso caso era uma porta entreaberta
E sempre em hora incerta
Trancava a razão do lado de fora

Mas nem sempre foi assim
Não havia essa constância de final sem fim
Tão pouco essa solidão de agora

Buscastes noutros lábios a presença dos meus
Como busco agora incessante noutros, os lábios teus
E nessa busca conscientes, decretamos o fim

Quisera não fosse dessa forma
Pois meu coração não se conforma
E a muito ele só faz doer em mim

Mas, não me caem lagrimas agora
Pelo adeus que me foi dado outrora
Quando outra boca a tua beijou

Eu que tanto já chorei
Me conformo pois agora sei
Que nosso caso terminou

Aceitemos em silêncio esse adeus
Pois sabemos que os sonhos que eram meus e teus
Jamais se realizarão

Não busquemos um culpado
Nem saber quem amou errado
Esqueçamos o passado consolando o coração

Varley
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Eu pago por um amor

Eu pago por um amor
Que me beije a boca sedenta
Que dê vida ao meu corpo cansado
Carregado de solidão

Eu pago por um amor
Que me condene ao açoite
De ter como companhia toda noite
Um abraço de ilusão

Eu pago por um amor
Que beba magoas comigo
Ou que me dê algum motivo
Para simplesmente sorrir

Eu pago por um amor
Que me embriague de felicidade
E que pelas esquinas da cidade
Não me deixe cair

Eu pago por um amor
De mentira. Que seja!
Afinal o que minha alma deseja
É sentir que continua a viver

Eu pago por um amor
Um amor qualquer
De alguma mulher
Que me faça te esquecer


Varley
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Lembro...

Há mais perfumes em minhas lembranças
Do que nas rosas de todos os jardins
Lembro teu olhar de carência
Colhendo carinhos que sobravam em mim

Lembro teus lábios de pura sedução
Iguais aos gomos de fruta doce e suculenta
Lembro da maciez de tuas pequeninas mãos
Num toque de harmonia que já não me acalenta

Lembro da vazão dos sentimentos
Quando nos teus olhos orvalhavam saudade
Lembro e lembro de todos os momentos
Quando me beijavas me impregnando de felicidade

Lembro do suor dos nossos corpos carentes
Numa ânsia infinda de se dar
Lembro da saudade permanente
Quando meus olhos não conseguiam te olhar

Lembro dos beijos carregando desejos sem fim
Onde nossa saliva nos encharcava de emoção
Lembro dos teus olhares que eram para mim
Olhares de graça e da mais completa perfeição

Lembro das incontáveis gargalhadas
Quando juntos riamos sem muita razão
Lembro da nudez desavergonhada
Quando nos amávamos sob os lençóis da paixão

Hoje, quero esquecer
Que tenho que lembrar pra viver
E que é somente isso que faço na vida

E se eu tiver que morrer
Morrerei feliz só porque
Morto não lembrarei a despedida



Varley
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As dores de amar

Quando conheci a poesia, num beijo molhado
Me salivaram os versos de Pessoa
Meus ouvidos ouviram Espanca
Meu coração disparado, drumoniava
Enquanto Chico cantava “Eu te amo”

O paletó dele abraçado ao vestido da amada
Juntos confundindo suas pernas
E eu do alto da minha adolescência nem sonhava
Que as dores de amar, eram eternas

Hoje concluo, que amei e amei tanto
E tanto vi minha amada pisar nos astros distraída
Até que um dia a porta do barraco ainda sem trinco
Testemunhou a triste partida

E foram-se as emoções
Nos tempos idos que não voltam mais
Durante àquele beijo molhado eu nem imaginava
Que as dores de amar doem demais



Varley
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Carência sem fim

Cálidas noites de prazer
nos teus braços encontrei
antes, nada sabia de amar
graças a teus beijos agora sei

E nossas almas entrelaçadas
carregadas de carência sem fim
se entregando pelas madrugadas
despertando prazeres adormecidos em mim


Varley
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O amor tem eterna conjugação

Ele virá, montado em um corcel
E trará um céu
Da cor de toda ilusão

Beijara tua boca sedenta
E o vento que tudo afugenta
Levará consigo toda razão

Ele te amará pela noite inteira
E nenhuma vontade derradeira
Ficará sem satisfação

Te violará o corpo num ímpeto de desejo
E nenhum derradeiro beijo
Te causará qualquer desilusão

E vocês se amarão por toda noite
E sentirão da vida o gostoso açoite
Que é se entregar a uma paixão

E quando o tempo vos findar
Vocês ainda hão de se amar
Porque o amor tem eterna conjugação


Varley
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SONETO DA DESPEDIDA - Afonso Estebanez

Foi necessário que chovesse tanto
para que tanto mais o sol voltasse
a refletir a luz que a dor do pranto
inundou de penumbra minha face.

Foi-me defeso ressentir do quanto
sob a cinza do amor em desenlace
ainda me encantaria o desencanto
se esse rio de mágoa não secasse.

Não refaças o curso dos meus rios
nem acenes ‘adeus’ para os navios
de sonhos idos do meu velho cais.

Não levo nada... Só a necessidade
que ainda tenho de sentir saudade
de teus instantes mórbidos de paz.

Meu desritmado coração

Na pele um arrepio
E o assedio torturante dos desejos
Minha vida por um fio
Vivendo das lembranças dos teus beijos

Sobre a cama desfeita
Jaz o desalinho de toda ilusão
Nossas roupas numa desordem perfeita
Espalhadas pelo chão

Meu coração sangrando
A dor que o mantém
Meus lábios desejando
Os lábios que já não teem

Meu corpo em descompasso
Pelas ruas buscando
Me perdendo dos teus passos
Vou a revelia me entregando

Como que querendo me vingar
Vago por vagar
Nas esquinas dessa desilusão

E é tanta dor e sofrer
Porque ainda bate por você
Meu desritmado coração



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Impasse - Orlando Tejo

Se ficar onde estou não faço nada,
Se sair por aí corro perigo,
Se me calo minhalma é sufocada,
Se disser o que sei faço inimigo...

Se pensar vou trair a madrugada
E se sonho de mais vem o castigo,
Se quiser subo até o fim de escada,
Mas precisar brigar, e eu não brigo!

Se cantar atropelo o contracanto,
Se não canto maltrato o coração,
Se me faço sofrer me desencanto,

Se reprimo o ideal perco a razão,
Se perder a razão, resta-me o pranto
E meu pranto não faz uma canção.

Espiritualismo - Antero de Quental

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?

Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.

Mente mas não morre

Disse-lhe que a amava
Mas menti
O sangue desse amor
Não me chegava
Ao coração

Disse-lhe que a queria
Mas menti
O calor desse desejo
Esmaeceu de desilusão

Menti-lhe tanto, tanto
E nunca menti tanto assim
A única verdade
É que menti muito mais para mim

E todo esse sangue e calor
Me arde me percorre
Porque um verdadeiro amor
Mente mas não morre


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com quantos

Com quantos orgasmos se faz um amor
Com quantos adeus se constrói uma despedida
Com quantos desejos se materializa uma paixão
Com quantos fins se tira uma vida

Com quantos medos se produz um calafrio
Com quantas palavras se pode frasear
Com quantas rebeldias se torna arredio
Com quantos frios tenho que me agasalhar


Varley
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Em qual esquina ficou meu verso derramado
Em que muro grafitei meu desejo
Em que corpo escrevi vida
Entre gemidos de prazer e doces beijos


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Amor

Amor, com amor se apaga
Razão irmã da loucura
Dúbia certeza vaga
Certa duvida pura

Amor, com amor se paga
Chaga que quem a faz, a cura
Mão que bate e afaga
Tudo promete tudo jura

Amor, maldito e querido
Amor, saudoso e banido
Amor




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“História de um poeta”

Sempre o via passar pela rua dos poetas
E nas esquinas incompletas
Se embriagar de saudade e insensatez
Lá ele bebia tanta dor
Ao lembrar de um louco amor
Que lentamente sua poesia se desfez

Perambulava pela madrugada
Cambaleando pelas calçadas
Buscando um corpo como cais
E se entregava à revelia
Ao bel prazer do que bebia
Sem esquece os abraços que não tinha mais

Sempre o via chegar pelas manhãs, quieto
Trazendo um sol incompleto
Cheirando bebida e desilusão
Jogava o branco paletó de linho
E o corpo amarrotado pelo descarinho
No frio e empoeirado chão

Quando a tarde já se avizinhava
E ele lentamente levantava
O corpo exaurido pela boemia
Lavava o rosto enxovalhado
Comia um pouco do alimento guardado
Sem sentir o gosto do que comia

Voltava a deitar e novamente adormecia
E sonhava com os beijos que um dia
Recebera de um alguém
A noite logo o despertava
E ele recomposto se entregava
Pelas esquinas aos lábios de ninguém

Um dia, o vi cair na sarjeta
De braços dados com uma ninfeta
Que cheirava a bebida também
E lá ficou por toda noite
A sofrer da madrugada o açoite
Encoberto pela solidão que a noite tem

Nunca mais vi aquele poeta
Que teve uma história repleta
De dor e desilusão
Ele que teve uma vida conturbada
Preferiu a solidão da madrugada
Onde se perdia entre os copos de então

Parece sina de todo poeta que ama
Uma vida incompleta tal qual chama
Que lentamente se esmaece
Espelho meu, que espelha
Essa chama, essa centelha
Afasta deste teu poeta o amor que não floresce





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No sé cúantas veces al espejo pregunté
En donde esta el amor que yo soné

Quem de nós dois - Ana Carolina

"Se eu disser
Que já nem sinto nada
Que a estrada sem você
É mais segura
Eu sei você vai rir da minha cara
Eu já conheço o teu sorriso
Leio o teu olhar
Teu sorriso é só disfarce
O que eu já nem preciso...
Sinto dizer que amo mesmo
Tá ruim prá disfarçar
Entre nós dois
Não cabe mais nenhum segredo
Além do que já combinamos
No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso
Meio na contra mão
E quando finjo que esqueço
Eu não esqueci nada...
E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro...
Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida"

A razão não explica o amor



Eu quis tanto entender seus motivos
Mas aprendi tarde demais
Que compreender é esquecer de amar
A razão não explicará o amor jamais

Eu quis tanto que você me amasse
Pelo amor que tanto te ofertei
E me perdi tentando entender o seu jeito de amar
Mas a razão não explica o amor, agora sei

Eu quis tanto te amar além do que eu podia
E por algum momento de fato te amei assim
E quase enlouqueci nesse meu impossível amor
Mas a razão quis premeditar o terrível fim

Eu quis muito, e ainda quero tanto
Porque ficar sem teu amor muito me dói
Se for preciso subverter a razão
Quero viver essa loucura que meu coração corrói

Eu quis tanto e ainda quero muito
Que esse nosso louco amor tenha sobrevida
Vou aceitar a loucura de te amar
Mesmo que minha razão fique dividida

Eu quis tanto e agora quero ainda mais
Dizer chega a toda e qualquer razão
Te tomar nos braços e te amar
Como quer meu corpo e meu coração




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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ser criança

Hoje, uma criança nos meus braços, me fez desadultecer
Eu me sentei no chão com ela e me pus a sonhar
Suas mãozinhas pequeninas, sua pelezinha macia
E aqueles lindos olhinhos que não sabiam da maldade do mundo
Me fitando, me mostravam a beleza daquela alma ingênua
Hoje, lembrei-me dos meus filhos na idade das fraldas
E perguntei-me: Por que crescem os filhos?
Sem resposta alguma que me impedisse a saudade
Voltei a curtir o pequenino que sentado no chão comigo
Me fazia sorrir o mesmo riso de outrora
Me fazia sentir quão lindo é o ser criança

Agora

Agora quero um amor para mim
um amor que me beije verdades
um amor que pronuncie meu nome
na hora do gozo entre gemidos de puro prazer

Agora quero um amor para mim
um amor que me ame verdades
um amor que me dê mais vida
uma vida pequenininha que me faria desadultecer



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