sábado, 3 de julho de 2010

As dores de amar

Quando conheci a poesia, num beijo molhado
Me salivaram os versos de Pessoa
Meus ouvidos ouviram Espanca
Meu coração disparado, drumoniava
Enquanto Chico cantava “Eu te amo”

O paletó dele abraçado ao vestido da amada
Juntos confundindo suas pernas
E eu do alto da minha adolescência nem sonhava
Que as dores de amar, eram eternas

Hoje concluo, que amei e amei tanto
E tanto vi minha amada pisar nos astros distraída
Até que um dia a porta do barraco ainda sem trinco
Testemunhou a triste partida

E foram-se as emoções
Nos tempos idos que não voltam mais
Durante àquele beijo molhado eu nem imaginava
Que as dores de amar doem demais



Varley
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