quinta-feira, 24 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
"Qualquer preço"
Para esquecer teu sorriso
Me dê alguma raiva que me prove
Que de ti não preciso
Me mostre alguma desilusão
Que eu já não conheça
Fira com força meu coração
Para que ele te esqueça
Me deixe ver alguma ruga
Ou algo que meus olhos não conseguem ver
Tente cegar-me a alma
Porque ela só tem olhos para você
Se me queres de ti distante
Diz-me um qualquer adeus
Faça-me sangrar até a última gota
Me afoga com os desprezos teus
Mas, se há uma chance
De tentar algum recomeço
Me diz num sorriso
Porque por ele eu pago qualquer preço

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"Ontem"
cacos meus jogados pelas gavetas,
disformes lembranças ternas
enclausuradas em fotos já amareladas
porta-retratos prendendo sorrisos
dias alegres guardados
ontem me perdi em lágrimas de saudade
e a noite orvalhada
ainda hoje me impede de ver algum sol

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domingo, 20 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
"Com lábios de amante"
as que dizem me amar, me querem distante
quero apenas alguém que me beije a boca
com lábios de amante
Alguém que me toque o corpo carente
como quem toca com os lábios o desejo
e nesse tocar de luxuria e prazer
minha alma sinta o calor de um delicioso beijo
Não, não quero mais ouvir amor de mentira
prefiro agora a verdade do suor no ato da cama
e entre gemidos de prazer e olhares de tesão
sentir a libido que dos nossos corpos se derrama
Palavras falsas, juras eternas
trocarei todas agora
pelo sabor que encontro entre as pernas
que nunca me jurarão que jamais irão embora

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quarta-feira, 16 de junho de 2010
Cresci, e não tenho mais os sonhos de voar

Cresci, e não tenho mais os sonhos de voar, coisa comum a todos que crescem. Perdemos os melhores sonhos, que vão dando lugar a sonhos mais mesquinhos.
Lembro que sonhava em voar. Eu era então um mirrado menino do interior, nascido em um lugarejo no meio do nada no sertão nordestino, onde se sonhava mais do que vivia, num lar onde sonhar era sempre o melhor remédio para combater a fome. De uma família de dez irmãos raquíticos como eu, franzinos como eu, sonhadores como eu. Filhos de pais trabalhadores, escravos da lida cotidiana, cujas mãos calejadas, vitimas da madeira grosseira dos cabos das enxadas, mais pareciam petrificadas de tão rudes. Mãos que sequer sabiam acarinhar de tão embrutecidas. Mas mesmo com toda a rudez das mãos dos meus pais, todos recebíamos carinhos disfarçados, ora quando deixavam de comer para que a prole enganasse a fome com alguns poucos caroços de feijão, arroz e umas poucas colheradas de farinha, cardápio e quantidade muito comum no prato de todo sertanejo, ora quando se emaranhavam sertão a dentro, levando a tiracolo o rebento adoentado para tentar ajuda na cidade grande sempre tão distante nessas horas de dor. Sim, esses eram os valorosos carinhos que recebíamos de nossos pais calejados.
Esse sonho de voar, nasceu quando meus olhos de dez anos de idade, olhavam fixos um Carcará, o predador dos ares no sertão, bailando ao sabor dos ventos, dando rasantes nos galhos mortos, mergulhando no véu cinzento e emergindo quase sempre com um roedor no bico poderoso, e quando ele desaparecia das minhas vistas, meus olhos caiam em si, e eu via toda a carência que rodeava a vida que levávamos, cercada de morte e desolação no coração da Caatinga. Ficava horas imaginando-me planando nas correntes dos ventos quentes que sopravam nem sei de onde, e uma pergunta me saltava a cabeça. Por que aquele Carcará não ia buscar noutras bandas do mundo algo mais saboroso para comer e um lugar melhor para viver? Então comecei a sonhar com asas, imaginava-me partindo daquela escaldante vida de bicho, e carregando sobre minhas asas, meus irmãos e meus pais, até pensava, que com o peso deles seria coisa fácil, afinal, eram todos tão mirrados, tão poucos em si, que não pesariam nada.
Um dia, meu pai que havia sumido dois dias atrás, chega carregado nas costas de um caminhão envelhecido e barulhento, abre a porta pendente e enferrujada daquele ancião de rodas, desce e diz a minha mãe: Vamos, pega os meninos, vamos sair daqui agora.
Com uma pressa não comum a ele, pegou-me no braço, colocou-me na carroceria de madeira feia, deixou-me ali, foi pegando cada um dos meus irmãos, e por ultimo ajudou minha mãe a subir, voltou a cabine, bateu com força umas três a quatro vezes a porta pendente, até que ela rendeu-se a sua vontade e fingiu que fechou para parar de apanhar.
Horas depois, lá estava eu sobre asas de ferro que não voavam, mas arrastavam-se sobre estradas mortas. Dias depois, lá estávamos pousando nossos corpos cansados numa rua barulhenta de uma cidade grande, e ali começamos nova vida.
Nem lembro quando mudei de bicho para menino, só sei que todos mudamos, já não tínhamos o medo nos olhos, esse, deu lugar ao deslumbramento que a cidade causa no povo do sertão. Era muita vida ali, tão diferente do cemitério que era àquele nosso lugar.
continua em breve...espero...

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terça-feira, 15 de junho de 2010
Eu sou uma pergunta

Eu nunca fui esse de agora
Perdi-me daquele que fui um dia
Fiquei, como ficaram os tempos de outrora
Envelhecendo-me como esquecida poesia
Dia desses, lembro ainda
Eu era criança e o mundo tinha cor
Na verdade, lembro pouco
Tudo está muito cinza
Mas afinal, quem sou?
Eu sou uma pergunta

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sábado, 22 de agosto de 2009
Lançamento - Poemas de Mil Compassos
A discriminação exercida pelas grandes editoras, grandes autores e grande parte da mídia nacional, em relação aos pequenos autores/escritores, prejudica a produção literária, o surgimento de novos valores e a cultura de modo geral. Cria-se uma “panela” onde os pequenos são deixados de lado. Muitos sucumbem ante o embate cruel, e enterram seus talentos nas gavetas (HDs) para sempre. Mas como existem exceções a todas as regras, aqui e ali surge uma alma bondosa, que consegue enxergar o outro lado da história e estende a mão aos que são relegados ao descaso.
Uma dessas almas bondosas, é um jovem baiano “arretado”, professor, escritor, poeta e jornalista que trás no sangue não só um talento impar, mais também um indiscutível e refinado gosto pela literatura, além de uma visão que o faz enxergar nos mais remotos confins desse país continente, brotarem sementes que podem em algum momento oferecer frutos saborosos à literatura nacional. Esse cidadão que atende pelo nome de Elenilson Nascimento, mais uma vez estende a mão a novos talentos e os tornam visíveis aos olhos da mídia discriminatória. Agora, lança o livro “POEMAS DE MIL COMPASSOS”, que é um apanhado poético garimpado com esmero e dedicação.
“POEMAS DE MIL COMPASSOS” tem 315 páginas, onde 51 poetas, entre eles eu, desengavetam suas poesias e oferecem aos leitores não só palavras agrupadas em versos, mais sim, palavras carregadas de sentimentos. São suas dores, suas desilusões, suas solidões, seus gritos e silêncios, suas indignações. São poesias que encherão de beleza, amor, paz e graciosidade os corações dos leitores. Fruto de um trabalho árduo e coletivo, esse livro vem juntar-se a outros tantos que são produzidos de forma corajosa, por pessoas como o Sr. Elenilson que mesmo sem recursos financeiros, e sequer nenhum apoio de qualquer programa paternalista governamental, segue estendendo a mão a literatura e tentando a todo custo erguê-la, com o objetivo primordial de produzir cultura, porque entende que é com educação que se faz a verdadeira revolução capaz de combater o imperialismo dos grandes que não conseguem ver nada mais além do que sua empáfia, em detrimento de um povo carente de educação e que necessita não se deter no mundo dos grandes conglomerados editoriais, nem dos já afamados escritores, mas sim, descobrir novos horizontes literários e fugir da imposição covarde das editoras e da mídia de modo geral.
O nosso livro pode ser comprado diretamente com a editora (clique aqui).
Oxalá, seja esse livro consiga superar as nossas expectativas de venda e seja apenas mais um, de uma série infindável, para que em nossas gavetas permaneçam apenas as traças (vírus nos HDs), e que possamos contribuir para que a poesia possa se massificar e contaminar a todos, assim, o processo de revolução pela educação terá percorrido um caminho sem volta e nossa nação haverá se transformado numa grande nação de fato.
Antes de terminar, gostaria de parabenizar a todos os poetas que passaram por essa rigorosa seletiva, são talentos e merecem essa mão.
Oro para que apareçam no nosso querido Brasil, pessoas como o Sr. Elenilson, e torço para que ele continue com esse firme propósito de elevar a literatura ao patamar que merece, e tendo sempre essa visão de mecenas.
sábado, 13 de dezembro de 2008
"Canto da liberdade"


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segunda-feira, 21 de abril de 2008
"Pretexto"

Há de beijar-me eu sei
O beijo que sempre sonhei
Desses teus lábios receber
E nesse beijo
Que tanto desejo
E que faz-me tanto querer
Hei de sugar o amor
Que salivas com ardor
Nessa boca de prazer
Anda, sacia-me com paixão
Ou desfaz de vez essa ilusão
Dizendo-me jamais
Mas creia, que se me sacias
Esse bendito desejo
Não quererei apenas um beijo
Porque ele é apenas pretexto
Para querer-te muito mais
Varley

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
“Minha confissão”
Charles BukowskiEu fumei e bebi mais que Bukowsky
Nas infinitas madrugadas de solidão
Querendo criar coragem para dizer
Aquelas palavras difíceis
Hoje, cheio de vícios
Só o travesseiro me ouve as confissões
E aquele poema de amor
Está enterrado numa gaveta qualquer
Varley

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sábado, 21 de julho de 2007
“Ama-me”

Beija-me antes que o amanhã seja tardio
E entardeça em nós a flor dos anos
E nossas lágrimas se tornem orvalho
Num pranto noturno de infinitos desenganos
Abraça-me antes que o dia nos sufoque
E o retoque do tempo nos rasgue ainda mais as faces cansadas
E em teus braços deixa-me provar o néctar
Do teu corpo que te faz ainda mais tão desejada
Ama-me com toda a luxuria e o viço do teu ser na flor da idade
Idade dos anos que te moldaram com tanta perfeição
Vinho tinto a me embriagar
A alma carente e o corpo embebido de paixão
E quando nossos corpos recobrarem as forças
Depois da bendita batalha de se dar na nossa cama
Repete tudo, tudo com ainda mais ardor
Provando o teu amor, murmurando que me ama
Varley
do Livro Antologias de Poetas Brasileiros Contemporâneos, vol. 37

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sábado, 19 de maio de 2007
“De que me valeria saber dançar?”

Eu também não sei dançar Manuel Bandeira
E já bebi tanta tristeza que viciei nela
Mais meu heterônimo é alegre
E dança, e baila e rodopia na minha imaginação
E se embriaga de risos e bebe tanta alegria
E logo em seguida desaparece
Deixando-me com toda a ressaca da vida
E eu amanheço meio Macunaíma, meio vilão
E descubro-me ardendo em febre
Num mocambo assolado pela fome de palavras
Que nem Mario de Andrade me sacia
E corro no descampado da minha alma
Beirando o abismo do silêncio
Onde enterrou-se em mim toda a poesia
Quando vi Drummond sentado num banco
No meio do caminho
Fingindo que não me ouvia.
Por isso lhe pergunto
De que me valeria saber dançar ?
Se a lira dos meus vinte anos
Já não tem nenhuma harmonia
E se tenho apenas as lembranças de morrer
As mesmas que Álvares de Azevedo tinha
Este, foi poeta, sonhou e amou na vida.
Eu fui poeta dos pesadelos, dos desamores
E o tempo deixou em mim só despedida
Por isso é que a solidão faz do meu coração guarida.
E quando meu heterônimo retorna
E me transformo em poeta outra vez
Ai então o mundo faz sentido
Porque eu me embriago de ilusão
Varley

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sábado, 7 de abril de 2007
"Pesadelo"

A cama vazia, outrora vadia, cúmplice,
Agora calada, dizendo nada, nenhum gemido
Os lençóis agasalhando o teu perfume
Misturando os sabores
Os sons do silêncio ecoando nos meus ouvidos
Martirizando-me sem compaixão
E eu, orando as paredes
Que o dia desperte-me desse pesadelo
Mesmo que seja sob a luz de mais uma ilusão
Varley

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domingo, 25 de fevereiro de 2007
“Como navalha”

Me puxe os cabelos
E os pelos
E não dê ouvidos
Aos meus apelos
Me ame sem desvelo
Sem cuidados
Sem medos
Não sou de cristal
Arranhe-me a pela nua
Branca e crua
Onde todo a luxuria Insinua
Onde todo bem
É também mal
Coma-me sem cerimônia
Te comerei sem parcimônia
Com toda a fome
Que é nosso natural
Devora-me noite adentro
Deixa-me estar no centro
Do teu cio animal
E quando os nossos desejos lascivos
Estiverem saciados
E nossos corpos exaustos de se dar
Ante o gozo merecido
Joguemos nossos corpos exauridos
Sobre o campo de batalha
Antes que o dia corte nosso sonho
Como navalha
E nos torne dois desconhecidos
© Varley

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sábado, 10 de fevereiro de 2007
“Bebendo a morte”
Andar pesado, faces rachadas
Mãos trêmulas e pernas inchadas
Conduzia um cajado velho, sujo
Pesado e tosco
Perambulava pelas ruas nuas de sol
E repletas de lua
Nas sarjetas das manhãs sujas, fedidas e frias
Ele despertava para se embriagar de desilusão
Nos copos que a esmola lhe pagava
E era assim sua rotina
Até que um dia
Um automóvel guiado em desespero
Por um fulano
Colega de vicio seu
Bebeu-lhe a vida
Fugiu sem pagar a conta
E nos jornais do dia seguinte
Uma foto em preto e branco
Mostrava um ser caído na sarjeta
Que bebia a morte em tragos diários
© Varley

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terça-feira, 30 de janeiro de 2007
"Há uma África em mim"

foto do site http://eudesenholetras.wordpress.com/2008/09/15/a-historia-e-a-cultura-da-africa-e-suas-implicacoes-com-a-cultura-brasileira-na-atualidade/
Há um Saara em mim
Ele vive e se manifesta
Na festa dos ventos que me levam
Nos meus pensamentos
Sou a fartura do pó que voa no vento
E engole as gotas no chão
Beduíno das cáfilas rondando a imensidão
Há tantas savanas em mim
Guardando o selvagem que sou
O mesmo que me devora a carne nua
No império dos sentidos
Onde impera a mãe natureza
Sobre a destreza
Dos ávidos e vorazes instintos
Há tanta fome em mim
Nas sombras que perambulam
Mastigando migalhas
Que estalam nos dentes rarefeitos
E são devoradas pela fome animal
Deixando silhuetas de olhos arregalados
Estendidos no chão
Vestes de osso e pele abandonados
Mas, há tanta vida em mim
Apesar do choro das minhas mães
E dos vírus que andam imunes
Desafiando-me com a cumplicidade do mundo
Que parece temer ser contaminado
Ao me estender a mão.
Não, não temas mundo
Meu sorriso é fecundo
E um dia, ainda vamos bailar
Sob os sons dos tambores da África
Um dia, a cor escura da minha mão
Poderá a ti ser estendida
Quem sabe, para evitar que se afogues
No oceano da indiferença
E assim possamos juntos ter sobrevida
© Varley

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sábado, 27 de janeiro de 2007
“Versos derramados”
Algumas gotas do vinho que meus olhos verteram
A taça em pedaços pelo chão
A garrafa de Cabernet Sauvignon vazia
O silêncio perturbando-me os ouvidos
A razão embriagada balbuciando dor
Enquanto minha alma vomitava muito da saudade
Que venho bebendo desde que partiste
© Varley

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segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
"A noite"
No silêncio de palavras caladas
Escondendo a algazarra de outrora
Em que corpos se davam no romper das madrugadas
Os suores dos corpos que ardiam
O estalar dos beijos que no ar tiniam
O vento que soprava paixão
Línguas se provando
Corpos se povoando
Sob o amparo tórrido da ilusão
A noite agora é noite apenas
O açoite das horas e o silenciar das palavras amenas
Nada dizem ao coração
A noite agora é apenas noite
E o passar das horas lentamente um açoite
Sob o chicote incauto dessa solidão
® Varley

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